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Um corpo que ama é um corpo que aconchega até um oceano. O mundo masculinista bombardeia casas-aconchegos e eu me recuso a descansar  sobreos escombros.

                                  — CAUMONT

 

A artista constrói, por meio da fotografia, do desenho,

da pintura e da colagem, uma cartografia sensível sobre corpo, desejo e permanência. Sua produção atravessa anos de investigação em torno de quatro forças que insistem em reaparecer: a busca incessante por uma morada; a impossibilidade de silenciar o desejo antes que ele encontre abrigo; a recusa em aceitar os lugares áridos impostos às mulheres como única forma de existência; e a decisão de manter as águas revoltas dentro de si até que o corpo possa finalmente descansar sobre o oceano.

 

Seu trabalho emerge da tentativa de compreender o corpo feminino para além das estruturas predestinadas pela perspectiva patriarcal. As imagens que cria operam como camadas atemporais de memória, sonho e fabulação, compondo narrativas oníricas onde mulheres autoagenciam seus medos, desejos e formas de sobrevivência. Entre gestos de afeto, ancestralidade, espiritualidade e insubmissão, suas obras imaginam mundos em que existir também pode significar aconchegar-se.

 

Há, em sua produção, corpos que atravessam o tempo em busca de autoafirmação — corpos desviantes que se tornam vetores de esperança diante das violências do mundo. As águas, a lua, as rezas, os encontros entre mulheres e as memórias ancestrais atravessam suas imagens como forças de conjuração: modos de costurar outros futuros possíveis entre o visível e o invisível.

 

A artista transforma a angústia em linguagem poética e política. Recusa descansar sobre os escombros das casas-aconchego bombardeadas pelo patriarcado e faz da imagem um espaço de reinvenção radical da vida.

Em seu trabalho, um corpo que ama é também um corpo capaz de acolher um oceano inteiro.

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“...esse olhar pessoal emerge nas obras de Claudia por meio da poética do descobrir-se mulher… pintada em formas e cores que revelam a busca pela verdade. Uma mulher que assume seus desejos, que abre janelas para vislumbrar novos mundos, que se reconhece como criadora e pró-criadora.”

 

Iraci Saviane — arteterapeuta, arte-educadora e professora do Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, BR

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“...É um despertar de imagens de encantamento que não se perdem: permanecem inscritas na pele, nas lembranças, no corpo habitado por uma diversidade de dimensões. O sonho ganha forma; alegria e temor se misturam, como se o próprio mistério do desejo vibrasse entre o alcance e o abismo. Nelas emergem ancestralidades, o feminino, a raiva, o medo, o amor e o sagrado — dimensões que se desdobram em colagens e montagens como quem conversa com o próprio inconsciente.”

 

Cristiane Miryam Drumond de Brito — pós-doutora em Terapia Ocupacional e pesquisadora em Semiótica e Psicanálise.

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